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Fritura é Base do prato de 50% dos Brasileiros

 

Impacto da ingestão de frituras na saúde das pessoas abrange obesidade e doenças cardiovasculares, dentre outros problemas

Em cada dois brasileiros, um diz que as frituras fazem parte de seu cardápio básico, segundo a pesquisa sobre hábitos alimentares realizada em todo o país por encomenda da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Sequinhos ou gordurosos, os pratos pouco saudáveis vão da batata ao bife, da berinjela à coxinha.

Opções nutritivas ficam para trás. Os grelhados, que dispensam óleo, são a base da alimentação de apenas 18% dos brasileiros. Ainda mais saudáveis, os alimentos crus são consumidos no dia-a-dia por pouco menos de metade da população.

Acostumado a lidar com pacientes obesos, o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica (cirurgia de redução do estômago), Luiz Vicente Berti, diz que um dos trunfos da fritura é o sabor. "Pegue um peixe ensopado. Ele não tem aparência, não tem muito gosto. Mas, se esse mesmo peixe chega frito, só o cheiro já é outra coisa. Existe coisa melhor que um peixinho crocante? A fritura é incomparavelmente mais saborosa", explica.

A pesquisa mostrou que a forma mais usada para preparar os alimentos é o cozimento (81% das pessoas), o que não quer dizer necessariamente comida saudável. Na hora de fazer carne cozida, não é raro que se acrescentem doses generosas de óleo à água da panela.

 

Lista de doenças

A gordura das frituras é sentida na saúde, basicamente, de duas maneiras. Em primeiro lugar, leva à obesidade. E o excesso de peso pode se desdobrar numa longa lista de doenças, todas graves, como pressão alta, diabetes, apnéia noturna (parada respiratória durante o sono) e câncer (principalmente de mama e o de útero).

Outros problemas são menos lembrados, como os ortopédicos (em decorrência do peso sobre os ossos) e os dermatológicos (as dobras na pele facilitam o surgimento de feridas e a proliferação de fungos e bactérias), além dos psicológicos.

O segundo grande impacto das frituras na saúde, que pode ou não vir acompanhado da obesidade, são as doenças cardiovasculares. As gorduras saturadas aumentam o colesterol ruim e diminuem o bom. Como conseqüência, placas de gordura se acumulam nas paredes das artérias e impedem a passagem do sangue. Se a obstrução não permite que o sangue irrigue parte do coração, a pessoa pode sofrer um infarto. Se o sangue não chega a parte do cérebro, pode sofrer um derrame.

"Com a fritura, o óleo passa a fazer parte da comida. O bife, por exemplo, fica com mais ainda gordura na composição. E, por causa do calor, o óleo é mais nocivo à saúde", explica Marcos Knobel, cardiologista do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, e coordenador de um dos comitês da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

A pedido da Folha, a rede Bon Grillé fez uma análise dos cardápios servidos em janeiro em seu restaurante num shopping da zona norte de São Paulo. Dos 19 acompanhamentos, o segundo mais pedido foi a batata frita (16,29%), que só perdeu para o arroz (18,46%).

A Bon Grillé, como o nome indica, é especializada em carnes grelhadas. Mas, algum tempo atrás, viu-se obrigada a acrescentar opções ao cardápio. "Por causa dos pedidos dos clientes, incluímos carnes fritas. Sem isso, você perde muitos consumidores''', diz Amol­do Leite Moura, um dos execu­tivos da rede.

 

Folha de São Paulo